Usar absorvente por medo de perder urina. Porque este hábito é um alerta?

“Eu uso absorvente todos os dias porque tenho medo de perder urina.”
Talvez você já tenha dito isso ou conheça alguém que faça o mesmo.
Às vezes, a mulher não apresenta grandes perdas urinárias. São apenas algumas gotas ao tossir, rir, correr ou fazer exercício. Em outras situações, existe uma vontade repentina de urinar e o receio de não conseguir chegar ao banheiro a tempo.
Para evitar constrangimentos, ela passa a usar um absorvente diariamente.
O problema não está no absorvente.
O verdadeiro alerta está no motivo pelo qual você sente que precisa usá-lo.
Quando o medo de perder urina começa a fazer parte da sua rotina, pode ser o momento de investigar o que está acontecendo.
“Eu não perco sempre. Uso absorvente só por segurança.”
Essa é uma situação muito comum.
A mulher pensa:
“É melhor usar, porque nunca sei quando pode acontecer.”
E começa a carregar absorventes na bolsa, usar diariamente ou colocar um antes de ir para a academia, viajar, sair de casa ou participar de algum evento.
Mesmo quando os escapes são pequenos, o medo pode permanecer.
Com o tempo, o absorvente deixa de ser apenas uma proteção eventual e passa a fazer parte da rotina.
É nesse ponto que vale fazer uma pausa e se perguntar: por que eu preciso dessa segurança?
Usar absorvente por medo de perder urina pode indicar incontinência urinária?
Pode.
A incontinência urinária é caracterizada pela perda involuntária de urina e pode se apresentar de diferentes maneiras.
Algumas mulheres perdem urina quando aumentam a pressão dentro do abdômen, como ao:
espirrar;
tossir;
rir;
correr;
pular;
fazer exercícios;
levantar peso.
Esse padrão é conhecido como incontinência urinária de esforço.
Outras mulheres apresentam uma vontade súbita e difícil de controlar, podendo ocorrer perda de urina antes de chegar ao banheiro. Esse quadro pode estar relacionado à incontinência urinária de urgência.
Também existem mulheres que apresentam uma combinação de diferentes sintomas.
Por isso, entender quando a perda acontece é importante para identificar o problema e definir a melhor abordagem.
“Mas é só um pouquinho de urina…”
A quantidade de urina perdida não deve ser o único parâmetro para decidir se é necessário procurar ajuda.
Uma pequena perda pode parecer insignificante.
Mas imagine que, por causa dela, você:
use absorvente todos os dias;
evite roupas claras;
deixe de correr;
pare de fazer determinados exercícios;
evite viagens longas;
procure sempre o banheiro ao chegar a algum lugar;
fique preocupada em rir ou tossir;
tenha medo de sentir vontade de urinar durante uma reunião;
evite determinadas situações de intimidade.
Nesse caso, o problema já ultrapassou a quantidade de urina.
Ele começou a interferir na sua liberdade.
O medo de perder urina também merece atenção
Nem sempre a mulher deixa de fazer atividades porque está perdendo muita urina.
Às vezes, ela deixa de fazer porque tem medo de que aconteça.
Esse medo pode levar a comportamentos de proteção, como usar absorvente constantemente, reduzir a ingestão de líquidos antes de sair ou evitar atividades de impacto.
Quando isso acontece, é importante olhar para a situação com mais cuidado.
A pergunta deixa de ser apenas:
“Quanto de urina eu perco?”
E passa a ser:
“Quanto esse medo está mudando a minha rotina?”
Por que algumas mulheres começam a perder urina?
A continência urinária depende da integração entre bexiga, uretra, músculos do assoalho pélvico, sistema nervoso e outras estruturas.
Alterações em diferentes partes desse sistema podem contribuir para sintomas urinários.
Entre os fatores que podem estar relacionados estão:
Gestação;
Parto;
Alterações do assoalho pélvico;
Envelhecimento;
Menopausa e alterações hormonais;
Excesso de peso;
Constipação;
Determinados procedimentos ou cirurgias;
Alterações neurológicas;
Algumas doenças e medicamentos.
Isso significa que não existe uma única causa para a perda urinária.
Por isso, não existe também um único tratamento para todas as mulheres.
Depois dos filhos, preciso aceitar a perda de urina?
Não.
A gravidez e o parto podem estar associados ao aparecimento de sintomas urinários, especialmente quando existe alteração da musculatura ou das estruturas do assoalho pélvico.
Mas perder urina depois dos filhos não deve ser tratado como uma consequência inevitável da maternidade.
Se você começou a usar absorvente depois da gravidez porque tem medo de perder urina, vale a pena conversar com um profissional.
Quanto antes a causa for identificada, mais adequada poderá ser a orientação.
E depois dos 40 ou 50 anos?
A chegada da menopausa pode trazer diversas mudanças para o organismo feminino.
A redução dos níveis de estrogênio pode estar associada a alterações geniturinárias, que podem incluir sintomas como:
Ressecamento vaginal;
Ardência;
Desconforto durante a relação;
Urgência urinária;
Aumento da frequência urinária;
Alterações urinárias;
Desconforto na região íntima.
Isso não significa que toda perda de urina depois dos 40 ou 50 anos seja causada pela menopausa.
Significa que essa fase da vida merece uma avaliação individualizada quando surgem sintomas.
Existe tratamento para a perda de urina?
Sim.
A escolha depende do tipo de incontinência, da causa, da intensidade dos sintomas e das características de cada mulher.
O tratamento pode envolver:
Fisioterapia do assoalho pélvico;
Exercícios e treinamento da musculatura pélvica;
Mudanças comportamentais;
Tratamento de alterações geniturinárias;
Medicamentos em situações específicas;
Procedimentos ginecológicos selecionados;
Cirurgia, quando existe indicação.
Em alguns casos, diferentes estratégias podem ser associadas.
O importante é não escolher um tratamento apenas porque funcionou para outra pessoa.
O que funciona para uma mulher pode não ser a melhor opção para outra.
O laser íntimo pode ajudar?
O laser íntimo é uma das tecnologias utilizadas em situações específicas da saúde ginecológica e geniturinária.
Em determinadas pacientes, pode ser considerado como parte do tratamento de alterações relacionadas à região íntima, especialmente quando existem condições em que sua utilização tenha indicação.
Mas é importante evitar uma simplificação:
laser íntimo não é tratamento universal para toda perda de urina.
Antes de indicar qualquer procedimento, é necessário compreender a causa dos sintomas e avaliar a paciente individualmente.
Dependendo do caso, a fisioterapia pélvica, tratamentos clínicos ou outras abordagens podem ser mais importantes.
A tecnologia deve estar a serviço da indicação — e não o contrário.
Quando o uso do absorvente deve ser um sinal de alerta?
Não existe um número específico de absorventes que determine quando procurar ajuda.
O mais importante é observar por que você está usando.
Considere procurar uma avaliação se você:
usa absorvente diariamente por medo de perder urina;
coloca absorvente antes de fazer exercícios;
precisa se proteger para sair de casa;
tem escapes ao tossir ou espirrar;
perde urina durante atividades físicas;
sente urgência e medo de não chegar ao banheiro;
acorda várias vezes à noite para urinar;
evita determinadas atividades por medo de um escape;
percebe que a perda urinária está aumentando;
sente vergonha de falar sobre o assunto.
Você não precisa esperar o problema se tornar grande.
O absorvente não deve ser a sua única estratégia
Usar um absorvente eventualmente pode ser apenas uma escolha de conforto ou segurança.
Mas quando ele se torna uma necessidade diária motivada pelo medo de perder urina, vale investigar.
Porque o objetivo não deve ser apenas esconder ou administrar o escape.
O objetivo é entender por que ele está acontecendo.
E isso começa com uma avaliação adequada.
Você não precisa organizar sua vida em torno do banheiro
Talvez você tenha se acostumado.
Talvez diga que é “só depois dos filhos”.
Talvez pense que é “coisa da idade”.
Talvez nunca tenha contado para ninguém.
Mas se você precisa usar absorvente por medo de perder urina, seu corpo pode estar dando um sinal que merece ser ouvido.
Perder urina não precisa fazer parte da sua rotina.
Uma avaliação ginecológica pode ajudar a identificar o tipo de alteração urinária, investigar possíveis causas e definir quais tratamentos são realmente adequados para você.
O primeiro passo não é escolher um procedimento.
É entender o que está acontecendo.
Dra Karla Frota
CRM DF 16765; RQE 11883




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