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Depois dos filhos, minha região íntima mudou: preciso de cirurgia ou existem outros tratamentos?

Foto do escritor: Karla Frota
Karla Frota
17 de set.
6 min de leitura

“Depois que tive meus filhos, minha região íntima nunca mais foi a mesma.”


Essa é uma frase que muitas mulheres têm dificuldade de dizer em voz alta, mas que aparece com frequência no consultório.


Depois da gravidez e do parto, algumas mulheres percebem mudanças na região íntima, como flacidez vaginal, redução da sensibilidade, ressecamento, desconforto durante a relação sexual, sensação de alteração na anatomia genital ou perda involuntária de urina.


E então surge uma dúvida muito comum:


“Preciso fazer uma cirurgia ou existem outros tratamentos?”


A resposta é: Depende. Depende da causa e das características de cada mulher.


Nem toda alteração íntima depois da gestação precisa de cirurgia. Em alguns casos, tratamentos não cirúrgicos podem fazer parte da abordagem. Em outros, a cirurgia pode ser uma opção quando existe indicação.


O primeiro passo é entender o que realmente mudou.


O que pode mudar na região íntima depois da gravidez e do parto?


A gravidez provoca transformações importantes no corpo feminino. Durante meses, músculos, ligamentos, tecidos e estruturas da pelve passam por adaptações.


O parto também pode influenciar a anatomia e a função da região pélvica.


Por isso, depois dos filhos, algumas mulheres relatam:


  • Sensação de flacidez vaginal;

  • Redução ou alteração da sensibilidade;

  • Desconforto durante a relação sexual;

  • Ressecamento vaginal;

  • Sensação de alteração na abertura vaginal;

  • Pequenas perdas de urina;

  • Dificuldade para segurar a urina;

  • Mudanças nos pequenos lábios;

  • Desconforto com roupas apertadas;

  • Incômodo durante exercícios;

  • Alteração na autoestima e na percepção da própria região íntima.


Isso não significa que todas essas alterações sejam consequência direta do parto. Cada sintoma precisa ser investigado individualmente.


Mas sensação de alteração na região vaginal pode acontecer após a gestação e o parto, especialmente quando existe comprometimento da musculatura do assoalho pélvico.


Mas é importante diferenciar uma percepção subjetiva de uma alteração anatômica ou funcional que possa ser identificada durante uma avaliação.


A sensação de “vagina larga” ou “vagina flácida”, por exemplo, pode estar relacionada a diferentes fatores.


Pode haver alterações musculares, mudanças nos tecidos, alterações hormonais ou outras condições ginecológicas.


Por isso, antes de pensar em cirurgia, é importante descobrir qual é a causa do desconforto.


  1. Perder urina depois dos filhos é normal?


Essa é uma das queixas muito comuns em consultório e que mais merece atenção.


Algumas mulheres começam a perder pequenas quantidades de urina ao espirrar, tossir, rir, correr, pular ou fazer exercícios depois da gravidez.


Isso pode estar relacionado à incontinência urinária de esforço.


É importante entender que o fato de a perda urinária ser comum depois da gestação não significa que ela deva ser considerada normal ou inevitável.


Você não precisa se acostumar a usar um absorvente para fazer academia.


Também não precisa parar de correr porque tem medo de perder urina.


A perda urinária involuntária merece avaliação.


Em determinados casos, a fisioterapia do assoalho pélvico pode ser uma parte importante do tratamento. Dependendo da causa e das características da paciente, outras opções também podem ser consideradas.


  1. Depois do parto perdi sensibilidade. Existe tratamento?


A alteração da sensibilidade íntima pode ter diferentes causas.


A própria gestação, o parto, alterações hormonais, mudanças no assoalho pélvico, flacidez, fatores emocionais e questões relacionadas à saúde sexual podem influenciar a experiência da mulher.


Por isso, quando existe redução da sensibilidade ou dificuldade para atingir o mesmo nível de prazer de antes, não é adequado simplesmente atribuir tudo ao parto.


Uma avaliação ginecológica pode ajudar a investigar:


  • Alterações anatômicas;

  • Condição do assoalho pélvico;

  • Alterações hormonais;

  • Ressecamento ou alterações da mucosa;

  • Dor ou desconforto durante a relação;

  • Fatores relacionados à sexualidade e ao bem-estar.


A sexualidade também faz parte da saúde da mulher.


  1. Ressecamento vaginal pode acontecer mesmo depois da gravidez?


Sim.


O ressecamento vaginal pode aparecer em diferentes fases da vida e não é exclusivo da menopausa.


Alterações hormonais, amamentação e algumas condições ginecológicas podem estar associadas à diminuição da lubrificação e ao desconforto vaginal.


A mulher pode perceber:


  • Secura;

  • Ardência;

  • Irritação;

  • Desconforto durante a relação;

  • Sensação de atrito;

  • Maior sensibilidade na região íntima.


Se esses sintomas persistirem após os 4 meses pós parto, é importante investigar a causa.


O tratamento depende do diagnóstico e pode envolver diferentes estratégias, incluindo medidas locais, tratamento hormonal quando indicado e, em situações selecionadas, tecnologias ginecológicas.


  1. Laser íntimo depois do parto: quando pode ser indicado?


Sim.


O laser íntimo é uma das tecnologias que podem fazer parte da abordagem de determinadas queixas ginecológicas.


Entretanto, é importante deixar claro: laser íntimo não é sinônimo de tratamento para todas as alterações que aparecem depois do parto.


A indicação depende da avaliação médica.


Em determinadas pacientes, o laser pode ser considerado para condições específicas relacionadas à saúde vaginal e geniturinária, especialmente quando existem alterações de mucosa, ressecamento e outros sintomas em que esse tipo de tratamento possa ser apropriado.


Em outras mulheres, a melhor estratégia pode ser fisioterapia pélvica, tratamento medicamentoso, terapia hormonal quando indicada ou simplesmente acompanhamento.


O tratamento deve ser escolhido para a paciente — e não a paciente escolhida para um tratamento.


  1. Fisioterapia pélvica pode ajudar depois da gravidez?

Sim.


O assoalho pélvico é formado por músculos e estruturas que participam de funções importantes, como continência urinária, suporte dos órgãos pélvicos e função sexual.


Depois da gestação e do parto, a avaliação dessa musculatura pode ser muito importante, especialmente quando existem sintomas como:


  • Perda de urina;

  • Dificuldade para controlar a urina;

  • Sensação de peso pélvico;

  • Alterações na função sexual;

  • Dificuldade para contrair ou relaxar adequadamente a musculatura.


A fisioterapia pélvica pode ser indicada isoladamente ou fazer parte de uma abordagem combinada, dependendo da necessidade de cada mulher.


E quando a cirurgia pode ser necessária?


Nem toda mulher que percebe mudanças na região íntima precisa de cirurgia.


Mas existem situações em que uma abordagem cirúrgica pode ser considerada.


Isso pode acontecer, por exemplo, quando existe uma alteração anatômica que provoca dor, desconforto físico, dificuldade funcional ou um incômodo importante, e quando a avaliação demonstra que a cirurgia pode trazer benefício.


No caso da ninfoplastia, por exemplo, a decisão não deve ser baseada simplesmente no tamanho dos pequenos lábios.


A anatomia genital feminina apresenta uma grande variedade de formatos e tamanhos considerados normais.


A indicação precisa levar em consideração a anatomia individual, os sintomas, o impacto na qualidade de vida e as expectativas da paciente.


Ninfoplastia depois da gravidez: toda mulher precisa?


Não.


Ter filhos não significa que a mulher precise fazer ninfoplastia.


A cirurgia pode ser considerada quando existe uma indicação individualizada, seja por questões funcionais, desconforto ou uma insatisfação que, após avaliação adequada, seja compreendida dentro de um contexto apropriado.


Uma avaliação cuidadosa também é importante para que a cirurgia preserve, tanto quanto possível, a anatomia, a função e a sensibilidade da região íntima.


Por isso, a pergunta mais importante não é:


“Qual é o tamanho ideal dos pequenos lábios?”


A pergunta é:


“O que está causando o meu desconforto e qual tratamento é realmente adequado para mim?”


Cirurgia ou tratamento não cirúrgico: como saber qual é melhor?


Essa é uma decisão que não deve ser tomada apenas olhando para uma foto ou comparando procedimentos na internet.


Durante uma avaliação ginecológica, é possível analisar:


1. O que mudou

Anatomia, mucosa, musculatura, sensibilidade, lubrificação ou continência urinária.


2. Quais são os sintomas

Dor, desconforto, ressecamento, flacidez percebida, perda de urina ou alterações sexuais.


3. Quando os sintomas começaram

Durante a gravidez, depois do parto, durante a amamentação ou posteriormente.


4. Qual é o impacto na vida da mulher

Na atividade física, nas roupas, na relação sexual, na autoestima e na rotina.


5. Quais tratamentos podem ajudar

Fisioterapia pélvica, tratamentos clínicos, tecnologias ginecológicas ou cirurgia, quando houver indicação.


Essa abordagem evita que a mulher escolha um procedimento antes mesmo de saber qual é o problema.


Quando procurar um ginecologista depois do parto?


Não existe necessidade de esperar anos para investigar uma alteração íntima.


Procure avaliação se você percebeu:


  • perda de urina;

  • dor durante a relação;

  • ressecamento vaginal persistente;

  • redução ou alteração da sensibilidade;

  • sensação de flacidez vaginal;

  • desconforto nos pequenos lábios;

  • alteração na anatomia genital que incomoda;

  • sensação de peso ou pressão na região pélvica;

  • mudanças na vida sexual depois da gestação;

  • vergonha ou insegurança que estejam interferindo na sua qualidade de vida.


E principalmente se você começou a evitar determinadas situações por causa desses sintomas.


Seu corpo mudou. Mas você não precisa simplesmente aceitar o desconforto.


A gravidez e o parto podem transformar o corpo da mulher de muitas maneiras.


Algumas dessas mudanças fazem parte da fisiologia. Outras podem indicar alterações que merecem investigação.


O mais importante é não cair em dois extremos:


Achar que toda mudança precisa de cirurgia ou acreditar que toda alteração depois dos filhos precisa simplesmente ser aceita.


Existe um caminho entre essas duas possibilidades: avaliar, entender e tratar quando houver indicação.


Para algumas mulheres, a fisioterapia pélvica será suficiente.


Para outras, tratamentos clínicos ou tecnologias como o laser íntimo podem ser considerados.


Em determinados casos, uma cirurgia poderá ser a melhor opção.


Não existe uma resposta única.


Existe o tratamento mais adequado para VOCÊ!


Se você percebeu mudanças na sua região íntima depois da gravidez ou do parto, uma avaliação ginecológica é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e quais possibilidades realmente fazem sentido para você. Dra Karla Frota CRM DF 16765; RQE 11883

 
 
 

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